LEGACY COHORT
LEGACY COHORT
Avaliação longitudinal dos desfechos cardiometabólicos de mães e filhos após hiperglicemia na gestação
Durante a gravidez, algumas mulheres apresentam aumento dos níveis de glicose no sangue, condição conhecida como hiperglicemia na gestação, que inclui o diabetes gestacional. Embora essa alteração geralmente desapareça após o parto, sabe-se hoje que seus efeitos podem persistir por muitos anos, aumentando o risco de desenvolvimento de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares tanto para a mãe quanto para a criança.
O Projeto LEGACY é um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) que acompanha mães que tiveram hiperglicemia durante a gestação e seus filhos por até 14 anos após o nascimento. Ao longo desse período são realizadas avaliações clínicas, laboratoriais e antropométricas para investigar como a exposição à hiperglicemia durante a vida intrauterina influencia a saúde cardiometabólica das duas gerações.
Os resultados do estudo contribuem para ampliar o conhecimento sobre os efeitos de longo prazo da hiperglicemia gestacional e podem auxiliar na elaboração de estratégias de prevenção, acompanhamento e políticas públicas voltadas à saúde materno-infantil e à prevenção das doenças crônicas.
O Projeto LEGACY (Longitudinal Evaluation of Gestational Hyperglycemia and Associated Cardiometabolic Outcomes) é uma coorte longitudinal desenvolvida pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Endocrinologia e Metabologia. O estudo tem como objetivo investigar os desfechos cardiometabólicos de longo prazo em mulheres que apresentaram hiperglicemia durante a gestação e em seus respectivos filhos, permitindo compreender como essa exposição intrauterina pode influenciar a saúde de ambas as gerações ao longo da vida.
A coorte reúne díades mãe-filho acompanhadas inicialmente no Ambulatório de Diabetes e Gestação do Hospital São Paulo. Informações referentes ao período gestacional foram obtidas retrospectivamente a partir dos prontuários médicos, enquanto a reavaliação das mães e crianças foi realizada entre dois e quatorze anos após o parto, possibilitando uma caracterização detalhada do estado nutricional, metabólico e cardiovascular de ambos os participantes.
Durante o seguimento são coletadas informações clínicas, sociodemográficas e de hábitos de vida por meio de questionários estruturados, além da realização de exame físico padronizado, incluindo medidas antropométricas, circunferência abdominal e pressão arterial. Também são realizados exames laboratoriais destinados à avaliação do metabolismo glicídico, perfil lipídico, função renal, marcadores inflamatórios e biomarcadores relacionados ao risco cardiometabólico, permitindo identificar precocemente alterações metabólicas tanto nas mães quanto na prole.
O LEGACY também investiga fatores associados à programação metabólica fetal, buscando compreender de que maneira diferentes graus de hiperglicemia durante a gestação podem influenciar o desenvolvimento de obesidade, diabetes, resistência à insulina e outros fatores de risco cardiovascular na infância e adolescência, bem como a evolução metabólica das próprias mães após o término da gestação.
Ao integrar informações obtidas durante a gravidez com avaliações clínicas realizadas anos após o nascimento, o projeto constitui uma das poucas coortes brasileiras voltadas ao acompanhamento simultâneo de mães e filhos após hiperglicemia gestacional. Seus resultados têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre os mecanismos envolvidos na programação fetal e na transmissão intergeracional do risco cardiometabólico, subsidiando futuras estratégias de prevenção, acompanhamento clínico e formulação de políticas públicas voltadas à saúde materno-infantil.